Vocação e Família, Família e Vocação

Mensagem de Dom Joaquim Justino Carreira sobre a Família e Vocação.

Às vezes, andamos tão distraídos ou absorvidos que até esquecemos que somos filhos de Deus. Pois é, cada um de nós é fruto dum ato voluntário de amor, único e irrepetível. Esse amor criador de Deus faz de cada um de nós uma pessoa diferente de qualquer outra, com talentos próprios. E para cada um de nós Deus tem um projeto muito claro: Deus quer que sejamos felizes, já nesta vida terrena, pondo a render os talentos que nos dá!

Quem vive nesta entrega confiante torna-se uma presença que interpela e que leva os outros a interrogar-se e a querer viver também a mesma felicidade. Uma igreja de vocacionados ajuda as pessoas a descobrirem o que Deus espera delas também.

O matrimônio não é uma vocação menor ou uma não-vocação, uma espécie de destino inexorável para aqueles a quem Deus não chama à vida consagrada. O matrimônio é uma vocação plena de dignidade – quem a acolhe é sinal do amor de Deus: Na diferença e na complementaridade homem-mulher. Como gerador de novas vidas. No acolhimento da identidade própria de cada filho. O serviço à família e à comunidade. O dia-a-dia da família – sucessos e desânimos, alegrias e tristezas, progressos e provações – faz perceber que a vida é caminhada, é esforço, é entrega continuada; amar não é coisa de momento, é atitude permanente.

Cada vez menos se pode aceitar que casar na Igreja possa ser apenas uma prática social, porque “é costume”, “os meus pais também casaram aqui” ou até porque as fotografias ficam com um enquadramento mais bonito. Casar na Igreja tem de ser um ato consciente, uma afirmação de Fé e o assumir, perante a comunidade, a vocação de ser “uma só carne”. O matrimônio é um sacramento, sinal revelador da Santíssima Trindade, união no amor e por amor. A fecundidade conjugal, traduzida na geração de novas vidas – os filhos – é a mais evidente manifestação desse amor criador. Os casais que não podem ter filhos e que são igualmente fecundos, num amor generoso ao serviço da comunidade e(ou) através da adoção de uma ou mais crianças, ou mesmo de algum idoso abandonado ou solitário.

A vocação matrimonial é por natureza fecunda, geradora de novas vidas, e os cônjuges, ao assumirem a responsabilidade de serem pai e mãe, tornam-se colaboradores de Deus na obra da Criação. Esta responsabilidade não se esgota no momento da concepção ou do nascimento, é para toda a vida, ou seja, nunca deixamos de ser pais!

A Vocação Consagrada deve ser desejada, pedida em oração e promovida especialmente dentro das famílias cristãs. Sendo assim, importa que os pais proponham aos filhos todos os caminhos de realização vocacional: o sacerdócio, a consagração, o matrimônio ou outra vocação laical. Se a família é a primeira a excluir a possibilidade de um filho optar por uma vocação consagrada, terá de se interrogar sobre a autenticidade da sua fé.

Onde os cristãos o são por hábito ou tradição e não por assumirem a sua vocação batismal, não é fácil que possam surgir vocações consagradas! Onde o prestígio social e a riqueza, o culto do sucesso e do imediato, são valores mais altos do que a doação desinteressada ou o espírito de missão e de entrega, não há espaço para a vocação sacerdotal. Se nas famílias não há lugar para a atenção ao outro, para a oração, para o primado de Deus, para ser “igreja doméstica”, como pode um filho sentir-se interpelado à consagração no sacerdócio ou na vida religiosa?

Na coerência de comportamentos e atitudes dos pais, no amor-doação que forem percebendo, no acolhimento que sentirem pelas opções conscientes que forem fazendo, os filhos vão sendo educados, vão tomando consciência da sua individualidade e do lugar único que Deus tem para eles.
Os que são pais por vocação, guiam os filhos na descoberta e no amadurecimento da sua própria vocação, não a impõem!

Dom Joaquim Justino Carreira – Bispo Diocesano

Fonte: Diocese de Guarulhos

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